Coluna do JP – Five stops in New York!!!

Por:João Paulo Salgueiro
Sempre que vou para NYC saio do Brasil já com um plano muito bem
estruturado de quais restaurantes irei visitar. E é claro que nunca consigo
cumprir meu roteiro. Por um lado é bom, porque em se tratando de NYC, as
surpresas que aparecem em nosso caminho, em geral,  acabam valendo a pena.
Em minha última visita à Big Apple tive a oportunidade de conhecer cinco
restaurantes bem diferentes, cada um com sua especialidade e particularidade,
que mostram bem a diversidade gastronômica da cidade de Nova Iorque e
principalmente que acertar uma boa mesa por lá não é tarefa muito difícil.
Rana

Giovanni Rana é famoso na Itália há mais de meia década pelo seu Tortelini
e suas massas frescas. Encontrei o restaurante dele por acaso quando cheguei
faminto às 16h da tarde ao Chelsea Market. Os restaurantes mais pomposos de lá,
como o Morimoto e o Buddakan a essa altura já estavam fechados, e acabamos nos
aventurando nesse delicioso italiano.
Posso dizer que o Rana é um estabelecimento democrático e com a alma de
New York. Por que? Porque logo na porta decidimos se iremos escolher uma massa
fresca em uma extensa vitrine e levar para cozinhar em casa, ou, uma “pasta to
go” para comer rapidinho em casa ou no trabalho, ou, sentar-se no
aconchegante salão e deliciar-se com uma pasta recheada ao melhor estilo do
Veneto.
Sob dezenas de panelas penduradas pelo teto, os simpáticos garçons se
movimentam incansavelmente por entre as mesas e servem pratos como a deliciosa
Mezaluna de Lagosta com Cogumelos salteados ou o Cappeletti de Presunto
Crostino e Sálvia.
As massas são leves, o atendimento ótimo e o preço é uma pechincha em
se tratando de NYC.
Rana – Chelsea Market

79 9th Avenue , Nova York, NY, Estados Unidos
Sushi Yassuda

O Yassuda é tido como um dos melhores, senão o melhor restaurante
japonês estilo tradicional da cidade. Pequeno e todo revestido em bambu o
ambiente é quase um espaço de contemplação. 
Ao contrário do que estamos
acostumados com os restaurantes japoneses aqui de SP, que servem basicamente salmão,
atum, kani e quando muito algum tipo de peixe branco, no Yassuda a variedade de
peixes é tão grande que não tive como resistir a pedir o menu degustação. 
O
sistema é simples e direto: o chef manda pra mesa um papelzinho tipo “comanda”
rabiscado indicando o que ele considera ser o melhor e mais fresco peixe do
dia. A nós, basta dizer ao garçom quão grande é nossa fome. Estávamos em 3
pessoas e recebemos um prato com 30 sushis, sendo três  de cada um dos 10 diferentes tipos de sushi.
Tinha Atum, Toro, Cavala, Vieiras, Ovas de Ouriço e Lula entre outros. 
Simplesmente o sushi mais formidável que já comi na minha vida. Além disso, a
extensa carta de sakês é um complemento perfeito para quem gosta e/ou entende
alguma coisa do assunto.
Caro e pequeno, recomenda-se reservar mesa, principalmente se você está
em um grupo acima de quatro pessoas.
Sushi Yassuda (próximo à Grand Central Terminal)
204E 43rd street Nova York, NY, Estados Unidos

Pastis

O lugar da moda no bairro da moda. Desde a revitalização do High Lane e
dos armazéns nos arredores da rua 14th com a 9ª avenida, o bairro do
Meatpacking District recebeu uma quantidade enorme de bares, restaurantes,
lojas e casas noturnas e transformou esta área no point do momento na cidade. Lá
está o Pastis, um típico bistrô francês, pertencente ao mesmo grupo do já
consagrado Balthazar, muito bem frequentado e com uma comida deliciosa. Ouvia
falar do Pastis desde o dia que conheci a Vanessa, sempre que o assunto é NYC
ela enche a boca e diz: -O brunch de lá é divino, eu comi um salmão com ovos
tomando uma mimosa que é de chorar!
Então, era noite de “thanksgiving” e como não podia se diferente
preparei a todos uma surpresa reservando aqui do Brasil uma mesa para comer o
tradicional perú de ação de graças no Pastis. Detalhe à atenção que me foi dada
em reservar por telefone, há milhas de distância, uma mesa para 11 pessoas em
uma das datas mais concorridas do ano e ainda ligarem no meu celular três dias
antes para garantir que a reserva estava confirmada. Sensacional! Chegamos ao restaurante,
com a fachada ainda castigada pela passagem do furacão Sandy, e fomos
recepcionados por um garçom muito simpático que nos colocou na melhor mesa do
salão. O piso ladrilhado e paredes de azulejos e espelho, marcenaria escura e
detalhes em dourado lembram a arquitetura dos restôs da cidade luz. Pedimos uma
garrafa magnum de 1,5l de vinho Bordeaux e em seguida nos serviram o perú. Era
um prato oval com generosa porção de Peito e Coxa de Perú, acompanhado de Purê
de Abóbora, uma espécie de Farofa de Pão dormido, Castanhas, couve de Bruxelas
e molho de Cranberry. Agora eu entendo porque a Van falava tão bem do Pastis.
Ainda tive a chance de pedir de sobremesa a tradicional “Pumpkin Pie”, típica
dos feriados de fim de ano nos EUA, que não estava menos deliciosa que o prato
principal.
 E tudo isso, jantar, bebidas, vinho, sobremesa e gorjetas, em uma
data especial, a 65U$ por pessoa.
Pastis
9 9th Avenue, Nova York, NY, Estados Unidos (Meatpacking District).

Heartland Brewery

Se você curte o clima de pub e ainda por cima vibra com uma boa
variedade de cervejas artesanais, a Heartland Brewery é o seu lugar na cidade.
Foi a segunda vez que estive por lá e decerto não será a última. 
Um longo
balcão toma conta de toda a lateral do bar. TVs espalhadas pela parede trazem
tudo de esportes que está rolando no dia. Nos fundos grandes tonéis que
armazenam litros e mais litros de cerveja.
E claro, a grande atração da casa:
incontáveis “taps” de cervejas de fabricação própria e artesanal da Heartland.
Ao todo são seis rótulos permanentes (uma Light I.P.A., uma Lager, uma de
Trigo, uma Red Ale, uma I.P.A. e por fim uma Stout de aveia) e mais cinco
outras receitas sazonais, que mudam durante o ano de acordo com a estação, além
de misturas e mais misturas inusitadas entre elas.
Comecei pela degustação das cervejas da casa (servidas em um disco com
mini copos) e em seguida encarei mais um “pint” da sazonal Old Red Nose Ale.
Por fim, como era feriado de Ação de Graças, não podia passar batido pela Smilling
Pumpkin Ale. Inspirada na famosa torta de abóbora que é servida nessa época do
ano, é uma cerveja que leva em sua receita abóbora, mel, gengibre, canela e noz
moscada.
Este é o lugar perfeito para uma parada descompromissada, boa cerveja,
aperitivos deliciosos (chicken
fingers, fried mozzarella e onion rings entre outros), ambiente informal e
despojado.
35 Union Square West e
mais seis endereços em New York.
Oyster Bar
Dentro da Grand Central Station, o principal nó ferroviário da cidade,
este restaurante é tão cultuado e tradicional que se tornou um patrimônio
gastronômico da cidade. Entrei sozinho, sentei no balcão e pedi meia dúzia de
ostras. Enquanto isso tive a oportunidade de ver o cardápio (http://www.oysterbarny.com/pdf/dailymenu.pdf),
uma enorme folha de papel já meio gasta, perecido com um tablóide ou coisa do
gênero, e me assustei com a quantidade de pratos que o restaurante serve.
Sem
exagero, tem tudo que se pode imaginar de frutos do mar, lagosta, ostra,
marisco, peixes, camarão, lula, polvo… e não é só isso. Praticamente tudo
aqui vem com certificado de procedência. Carangueijo da Florida, ou Salmão do
Oregon, Mariscos de Massachussets e assim por diante.Nesse momento reparei no
alto do bar uma enorme placa que mostrava o tipo e local de cultivo dos mais de
20 tipos de ostras. Minhas ostras foram servidas acompanhadas de um potinho com
uma espécie vinagrete e uma notinha fiscal descriminando que ostras, uma de
cada, o garçom tinha me servido. 
Não menos densa é a carta de vinhos que ocupa
o verso inteiro do menu, além de diversos rótulos de cervejas nacionais e importadas.
Então uma senhora senta ao meu lado e pede uma porção de algo que não
consegui identificar. Perguntei para ela que me sorriu e disse: -Este é meu
prato preferido, frequento este lugar há mais de 30 anos e sempre paro aqui
para minhas “Clams Casino” (ou simplesmente Moluscos do Mar). Pareciam tão
suculentos que não resisti e pedi uma porção também. Indescritível. Gostei
tanto que voltei no dia seguinte levando a tropa toda.
Sempre muito cheio, principalmente na hora do almoço, quando as pessoas
fazem fila em uma janelinha no meio do corredor da estação para levar suas
ostras ou sopas ”take away”, este clássico restaurante tem o espírito de
Manhattan e é atração gastronômica imperdível.
Oyster Bar –  (no andar inferior da Grand Central Terminal)

89 East 42nd Street, Nova York, NY, Estados Unidos 
Sempre volto com pendências em minha lista, algumas que já levei
comigo, outras que acabei descobrindo por lá. A verdade á que definitivamente
não há diversidade gastronômica no mundo que se compare a New York.

andreleiras

Cozinheiro, blogueiro e viajante!!! Amo viajar, gastronomia e tudo que a vida tem de bom!!!

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