Coluna do JP – Kong – Paris

Por: João Paulo Salgueiro

Meio em cima da hora decidimos passar o carnaval em Paris e eu que já estava devendo pra Vanessa uma viagem decente desde outros carnavais, não hesitei em acertar dois coelhos com uma só cajadada. Decidi
preparar uma surpresa e entregá-la as nossas alianças em Paris. O cenário romântico perfeito seria um jantar no Le Jules Verne, restaurante no segundo patamar da Torre Eiffel. Eu só não contava com uma taxa inicial não reembolsável de 480 euros para consumar a reserva.
Saí então à procura de um novo local, lógico que eu queria uma bela vista da cidade, comida bacana, algo sofisticado mas que não me custasse os olhos da cara. Tinha na minha cabeça a péssima experiência de meu irmão no La Tour D’Argent e não queria correr o risco de errar, não naquela noite. Descobri pela internet um blog especializado em Paris (http://www.vamosparaparis.com), e a partir dele comecei minha busca da A a Z… até que cheguei na letra K de Kong… e não precisei mais procurar.

A descrição do restaurante era perfeita, um terraço coberto por um domo envidraçado no quinto andar da Kenzo, de frente para a Pont Neuf e o rio Sena. “Cool” é a palavra que descreve o local, totalmente decorado por ninguém menos do que o excêntrico e renomado designer Phillipe Starck (http://www.starck.com) que o escreve – “Kong é o embate entre o Clássico e o Moderno”. Objetos e figuras orientais se fundem com materiais que vão do clássicos ao hi-tech e formam um ambiente unicamente interessante. O teto do salão superior recebe uma enorme imagem de gueixa. O bar explode a nossos olhos com seu balcão de vidro vermelho retroiluminado. Nos sofás almofadas ao melhor estilo Palácio de Versailles com estampas de Pikachú e seus amigos. E para  coroar, por todos os lados, a famosa cadeira Louis Ghost (http://kartellstorela.com/shop/louis-ghost) inspirada nas poltronas Luis XV e confeccionada em acrílico transparente. Além de restaurante, o Kong também entra em clima de lounge após as 22h. 

Em meio a drinks especiais e aperitivos muito sugestivos, pode-se curtir o som aconchegante da DJ Beatrice Ardisson. E o que é melhor, o cardápio do Kong tem o mesmo preço do almoço no jantar, o que faz dele uma alternativa viável. As panelas estão nas mãos de Fumiko Kono, uma jovem de Tokyo que em Paris se apaixonou pela gastronomia. Trabalhou com o chef Alain Passard, e agora no Kong, junto do chef Richard Pommies (do Perpignan), buscam criar reinterpretações japonesas da tradicional culinária francesa.

O cardápio é recheado desses cruzamentos inusitados e é comum ficar indeciso. Entre “Macarron de Shitake”, “Carpaccio Japanese Style” e “Udon com Trufas Negras”, apelamos à ajuda do maitre. Sugerido por ele pedimos nossas entradas: “Satay da Terrace Galery” e “Carpaccio de Vieiras com Trufas Negras”. Sobre o Satay não há muito a falar. Vieram 5 espetinhos, carne, frango e camarão, e dois molhos, agridoce e apimentado. Não tinha absolutamente nada de mais. 

Em contrapartida, o Carpaccio de Vieiras estava fenomenal. Sou suspeito pra falar porque adoro crus, tartars e ceviches por aí a fora. As lâminas das vieiras, tão cuidadosamente finas e ao mesmo tempo suculentas, traziam consigo o gostinho agridoce bem sutil do limão, acompanhados por uma cama de hortaliças diversas, salsinha, coentro, hortelã. Tudo coroado pelo perfume e elegância do sabor das trufas. Delicioso.

Fomos então aos pratos principais. O meu “Peito de Pato assado com Berries de Sichuan e Arroz” estava excelente. O pato vem fatiado em pedaços generosos, o molho levemente adocicado escorria pela carne,
suculenta, no ponto certo, com uma fina e indispensável capa de gordura por cima. O arroz que acompanha é estilo Thai, aquele bem grudado, sem sal e com perfume de jasmim. 

O prato da Vanessa foi ainda mais exótico. “Fígado de Vitelo com calda de Ameixas e Purê de Batatas”. Sensacional. A apresentação do prato é muito parecida com o que eu pedi. O molho bem frutado da ameixas
combina perfeitamente com o fígado, selado por fora e vermelho e macio por dentro. A carne por sinal estava no ponto perfeito, sem despedaçar, ela praticamente derretia dentro da boca. O leve purê de batatas fechava o prato.

 Depois de entrada e prato principal sinceramente não havia mais espaço para sobremesa.
A noite foi sensacional, o local superou minhas expectativas, a Vanessa adorou a surpresa, e a conta até que não é absurda pela experiência que tivemos. A dica é reservar um horário ou chegar cedo pra sentar na  janelinha. Recomendo o Kong e pretendo voltar lá em minha próxima visita a Paris.

Kong
1 Rue du Pont Neuf – Paris
www.kong.fr/

andreleiras

Cozinheiro, blogueiro e viajante!!! Amo viajar, gastronomia e tudo que a vida tem de bom!!!

28 comentários em “Coluna do JP – Kong – Paris

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