Coluna do JP – Le Jules Verne – Torre Eiffel – Paris

Por: João Paulo Salgueiro

Se eu te pedisse para imaginar o cenário perfeito de um jantar romântico em Paris, qual seria? E se te pedisse para pensar em um grande Chef que pudesse tornar esse local ainda mais especial, quem seria? Se pensou na Torre Eiffel e em Alain Ducasse você acertou. Assim é o Le Jules Verne, restaurante localizado no 2º pavimento da torre, a 125 metros de altura, com vista panorâmica da cidade de Paris e assinado por este renomado chef.
Sempre fui louco pra conhecer o Le Jules Verne. Decidi tentar uma reserva, desafiando o mito de que se precisa de pelo menos seis meses de antecedência para conseguir uma mesa. Fui empolgado fazer a reserva pela internet e “ Bingo”!!! Consegui uma mesa para jantar no dia que estaria em Paris. Perfeito…até alí. O próximo passo era deixar os meus dados bancários e um depósito de 480 euros, 240 por cabeça. Pisei no freio na hora. Puxei o freio de mão em seguida. Desisti de jantar lá e acabei escolhendo o Kong, que foi minha postagem anterior.
Mas eu não estava satisfeito, queria de qualquer jeito experimentar aquele restaurante, e levado pelo espírito de “já que estamos aqui” acabei por reservar  uma mesa e fomos conferir o almoço de lá por generosos 88 euros por pessoa. É caro? Sim, claro que é caro. Mas é o restaurante da Torre Eiffel. Ponto.
O tratamento é VIP, desde o começo. Chegamos ao pilar Sul da torre onde fica a entrada do restaurante. Debaixo do tradicional toldinho parisiense o maitre nos recepcionou cordialmente e nos conduziu a um elevador particular (enquanto todos os demais mortais perdiam pelo menos uma hora na fila pra subir ao observatório da torre).
125 metros depois a porta do elevador se abre, o ambiente é bem escuro e apenas uma janela de vidro se destaca. Por ela vemos a cozinha funcionando a todo vapor. 
A concierge recolheu nossos casacos e nos levou à nossa mesa, que ficava no último dos três salões. No caminho uns 50 garçons, todos alinhados e encostados na parede, nos davam um educado “Bon Jour”.
O ambiente é moderno e clean. A elegância do design criado por Patrick Jouin (http://www.patrickjouin.com/) está no fato de ele se aproveitar das enormes vidraças com vista da cidade como elemento principal. Elementos vazados hexagonais como se fossem colméias surgem pelas paredes e pelo teto, por onde luzes coloridas trazem um toque cênico criativo e agradável em uma alusão ao emaranhado metálico que dá forma à torre. Os bancos preenchem as paredes por onde surgem estruturas como cabines de um trem e com cadeiras ao melhor estilo “Star Trek” dão a sensação de estarmos planando sobre a cidade em alguma espécie de engenhoca criada pelo próprio Jules Verne em suas histórias fantásticas.
Não menos impressionante é a apresentação da mesa, que em certo momento até nos tira o vislumbre da vista. Entre pratarias, talheres que parecem “chopsticks” e colherinhas de marfim, o destaque principal são os pratos especialmente criados para o restaurante pela Soins Graphiques (http://www.soinsgraphiques.com/), que também desenhou o cardápio “JV”.
Logo que nos sentamos foi servido o couvert. Como em todo restaurante tipicamente francês havia uma manteiguinha e em seguida o garçom passou com uma cesta com 4 tipos de pães finos diferentes para que pudessemos escolher. Flor de sal e bastõezinhos crocantes completam o couvert simples porém elegante.
Conceitualmente podemos descrever o Le Jules Verne como um restaurante de gastronomia criativa, de combinações e sabores inusitados. O menu para almoço pode ser à la carte ou fechado, onde pode-se escolher uma entrada, um prato principal e uma sobremesa entre apenas três opções de cada. Uma grata surpresa foi a opção “avec les vins” que trazia uma taça de vinho diferente harmonizada com cada um dos pratos servidos. Não por isso deixei de dar uma conferida na espessa carta de vinhos da casa.
Após o couvert veio um aperitivo frio bem delicado e despojadamente servido no copinho. No fundo tinha uma espécie de purê de beterrabas com cubinhos de cenoura muito bem cozidos que derretiam na boca e contrastavam com o creme de suave sabor de peixe coberto por minúsculos croutons.
Eis que chegaram as entradas e com elas nossa primeira taça de vinho, um Chablis delicioso (e eu que não sou de tomar vinho branco, depois dessa, ainda trouxe uma garrafa de Chablis pro Brasil). Difícil é a tarefa de explicar o “Delicado Aveludado de Cogumelos com Foie Gras, Alcachofras Jerusalém e asa de Pato recheada” da Vanessa. O prato chegou e rapidamente o garçom derramou uma espuminha branca em volta do pequeno pedaço de pato recheado, cercado por um creme bem delicado, como se fosse uma sopa, onde se pescava pedacinhos de legumes e foie gras.
 Não menos interessante foi meu “Ovo Caseiro moldado com Gold Caviar e redução de Lagostins”, uma espécie de suflê que recebe sobre ele uma suculenta gema de ovo e caviar e ao redor um caldo feito de lagostins, camarões e castanhas. Estávamos prontos para a próxima rodada.
A taça de vinho seguinte foi um Bordeaux tinto, sinceramente não lembro a região, mas posso dizer que era honesto. Meu pedido foi “Galinha de Angola recheada com Cogumelos e Castanhas e Molho Cremoso”. A carne extremamente macia e suculenta é sustentada apenas pela pele e desmanchava na boca. O gostinho cremoso do molho contrapunha o toque rústico das castanhas, cogumenlos e da panceta com agrião que fecham o prato.
Apesar da apresentação impecável o “Boeuf de Mandril Bourguignon com Batatas à Macaire”, que não nos surpreendeu. Entretanto temos que admitir que a carne estava no ponto perfeito, muito macia mesmo, decerto ficou cozinhado lentamente por horas até encorpar e pegar o sabor do molho.
As sobremesas foram servidas com um Sauternes (vinho francês, branco e de sobremesa) fechando o menu de vinhos. Achei bem interessante poder escolher o Armagnac de seu Savarin com Chantilly. 
O interminável banquete ainda nos reservou macarrons, docinhos, marshmallow de maracujá e cubinhos de mousse de chocolate. Pudemos ainda descer por uma escada exclusiva e ter acesso ao deck de observação da torre.
Enfim deixo aqui apenas duas dicas: Vá a Paris e, quando em Paris, vá ao Le Julles Verne.
Le Jules Verne
Tour Eiffel 75007 – Paris

andreleiras

Cozinheiro, blogueiro e viajante!!! Amo viajar, gastronomia e tudo que a vida tem de bom!!!

5 comentários em “Coluna do JP – Le Jules Verne – Torre Eiffel – Paris

  • 12 de maio de 2012 em 14:16
    Permalink

    Grande André…
    O JP tá nos mostrando coisas que não sabíamos…
    Santa ignorância minha, pois eu não sabia desse restaurante na torre…simplesmente o melhor…
    Eu pensaria como o JP…tá no inferno, abraça o capeta…eheheheheheh
    EXCELENTE POST…
    Parabéns André por levar através do Blog, ótimas experiências pra todo mundo….
    Abraços
    Verdelone – CIA DOS BOTECOS – http://www.ciadosbotecos.com

    Resposta
    • 13 de maio de 2012 em 06:18
      Permalink

      Verdelone, obrigado pelos elogios e que bom que gostou de nosso correspondente!!! O JP é um cara muito legal e que combina muito com o blog!!

      abraços e volte sempre!!!

      Resposta
    • 15 de maio de 2012 em 12:45
      Permalink

      Verdelone,
      O mais bacana é que além do Le Jules Verne, há também um restaurante mais despojado, tipo Brasserie, no primeiro patamar que é o 58 Tour Eiffel, e que também está nas mãos do chef Alain Ducasse. E para coroar a experiência há ainda um Champagne Bar no observatório do topo da torre. Confira os detalhes no site dos restaurantes da torre http://www.restaurants-toureiffel.com/
      E o site do Alain Ducasse também é bem bacana http://www.alain-ducasse.com/en
      Abc,

      Resposta
  • 14 de maio de 2012 em 13:58
    Permalink

    Olá André!!! Td bem?!?

    Nossa, como vcs são chiques! Adorei saber mais desse restaurante top. Vip é pouco, né?!? A experiência é super VIP, deve ser demais! E os pratos… ai, ai… salivei de vontade em todos! hahahaha

    Com certeza, guardarei a dica pra qdo conseguir ir a Paris. E eu só espero que seja logo… hehehehe!

    Amei o post, parabéns!;)

    Bjs,
    Vanessa

    Resposta
    • 14 de maio de 2012 em 22:22
      Permalink

      Oi Vanessa, que bom que gostou!!!!
      É um lugar dos sonhos para uma viagem dos sonhos!!
      Acho que todo mundo tinha que poder fazer isso pelo menos uma vez na vida. Tomara que sua viagem saia logo!!!

      bjs

      Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *