Coluna do JP – Restaurante Mocotó – São Paulo

Por: João Paulo Salgueiro
Mocotó, segundo o dicionário, é um termo em tupi-guarani que se refere à mão da vaca (ou pata) sem o casco. É muito famoso na culinária brasileira e está presente nas mais variadas regiões de nosso país desde os tempos da colonização portuguesa. Hoje, porém, mais do que uma iguaria de nossa culinária popular o Mocotó virou sinônimo de gastronomia de alta qualidade, resultado do trabalho caprichoso e de muita personalidade desenvolvido pelo Chef Rodrigo Oliveira em um restaurante muito simples, informal e acolhedor no bairro da Vila Medeiros em São Paulo.
Já fazia um tempo que eu queria conhecer o Mocotó, principalmente depois que vi o nome do Rodrigo Oliveira figurado em uma lista no portal Terra com os 5 melhores chefs brasileiros escolhidos por ninguém menos do que o Chef Alex Atala do D.O.M. e do Dalva e Dito. Aliás o próprio Alex Atala se encarregou de levar ao restaurante o celebrado chef espanhol Ferran Adrià que definiu o Mocotó com a seguinte frase: “Isso aqui é muito moderno, transcende o óbvio sem ser hype ou tecnológico. Quebra conceitos, estabelece um novo patamar”.
Antes de falar um pouco mais do restaurante, vale a pena conhecer a história do Mocotó, cuja origem se funde à história do Sr. José Oliveira de Almeida, um brasileiro trabalhador, nascido no sertão pernambucano e que veio para São Paulo tentar a sorte. Em 1973, depois de ter trabalhado em diversos ramos diferentes o “Seu Zé Almeida” abriu junto de seus irmãos um empório de produtos típicos, a “Casa do Norte Irmãos Almeida”, e em seguida seu próprio bar na Vila Medeiros. Lá era servido em copos um delicioso caldo de mocotó que causava tumulto entre os frequentadores. Até hoje presente no dia a dia do Mocotó, o “Seu Zé Almeida” passou há 5 anos a bola a seu filho Rodrigo, que desde cedo já trabalhava no empório e no boteco do pai. Apaixonado pela gastronomia Rodrigo se lançou ao mundo em busca de conhecimento na área, novas técnicas, ingredientes e tendências. Foi também investigar as origens e peculiaridades da cozinha nordestina de modo a aplicar tudo o que aprendeu nessa nova proposta do Mocotó.
Enfim, fomos ao Mocotó em um domingo de sol a convite de um amigo que já é frequentador assíduo da casa. Era 12:00h e as pessoas já se amontoavam calçada à fora na disputa por uma mesa. Apesar de toda essa aparente muvuca o pessoal que trabalha na casa é desde o início muito cordial, você é tratado como se fosse um amigo mesmo, sem cerimônia. Alí na calçada já nos serviram uma cerveja e em seguida nosso primeiro tira gosto, uma porção de Linguiça flambada com Cebola Roxa e Cachaça, típica de boteco.
Sentamos em seguida e como não poderia ser diferente, comecei pelo Caldo de Mocotó que estava uma delícia. O generoso pedaço de mão de vaca mergulhado no caldo justifica o sucesso da casa. 
Entre torresminhos, cerveja e algumas doses das diversas variedades de cachaças que a casa oferece, saboreamos o que para mim é o mais criativo tira gosto de boteco da cidade.
Os Dadinhos de Tapioca com queijo coalho e molho de pimenta agridoce. Sem exagero, esses dadinhos são fora de série, você vai comendo como pipoca e não para até que o prato esteja vazio.  Pedimos o cardápio e agora estávamos prontos para os pratos principais.

O cardápio obviamente é recheado de opções tradicionalmente nordestinas. Tem Favada, Baião de Dois, Feijão de Corda, Sarapatel, Dobradinha, Carne de Sol, Vaca Atolada, Escondidinho… e com tanta coisa boa é dificílimo escolher o que comer. Sempre presente à mesa muita farinha, pimenta e manteiga de garrafa para acompanhar os pratos. 
Fui no prato especial do domingo, a Paleta de Cordeiro do Velho Chico, deliciosa, macia e suculenta e que vem acompanhada de cuscuz de milho.
Na mesa teve ainda Carne de Sol assada servida na chapa,
Chips de Mandioca…
e Atolado de Bode, cozido por horas e com um suave sabor de coentro. 
Ficaram pra trás dois pratos no cardápio que me levarão de volta ao Mocotó em breve: Pirarucu Assado e o prato especial de sábado que é Costelinha de Porco à moda do engenho, dica deste meu amigo que bate cartão no restaurante.
Àquela altura eu já estava mais do que farto de toda a comilança daquela tarde de domingo, mas a mulherada da mesa ainda quis pedir sobremesa. Acabei experimentando o curioso Sorvete de Rapadura com calda de Catuaba (bem azedinha)…
 e também o Pudim de Tapioca. 
Saí do Mocotó às 16:30h, quatro horas e meia depois de ter chegado. Nem o longo caminho de volta tirou o ânimo de querer repetir a dose, com a mesa cheia de amigos, em outro domingo qualquer.
Restaurante Mocotó
Av. Nossa Senhora do Loreto,1100- Vila Medeiros – São Paulo

andreleiras

Cozinheiro, blogueiro e viajante!!! Amo viajar, gastronomia e tudo que a vida tem de bom!!!

6 comentários em “Coluna do JP – Restaurante Mocotó – São Paulo

  • 17 de setembro de 2012 em 23:36
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    muito legal o post! o Mocotó e o Rodrigo merecem toda a fama que tem!

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  • 18 de setembro de 2012 em 23:53
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    Uauuu!!!

    Adorei o post, ficou ótimo! Deu vontade de provar um pouco de tudo!

    A gente só foi 1 x e o gostinho de "quero mais" só cresce a cada mês…

    Os poréns são a fila gigantesca, tem que "madrugar" para garantir a mesa logo que abrir e a distância (moro no Grande ABC e é praticamente uma viagem chegar até lá! rs). Mas o que escreveu no final é a mais pura verdade, as comidas e bebidas compensam e muito!

    Vou convencer o Carlos a voltar logo…hahaha!

    Abraços,
    Denise

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    • 22 de setembro de 2012 em 12:14
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      Vamos marcar uma trip para fazer uma mesa grande, o que acham? Podemos pedir vários itens do cardápio e provar mais coisas. Além disso com os amigos, até fila vale a pena hahahaha

      Abraços Denise

      Resposta

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